Owen Pallett

OWEN PALLETT

Esta entrevista pertence aos nossos arquivos. Foi realizada aquando da vinda de OWEN PALLETT (na altura ainda conhecido pelo seu alter-ego Final Fantasy e músico dos Arcade Fire) ao FADEINFESTIVAL 2006 e publicada originalmente no Jornal de Leiria. Desde então muita coisa mudou. Owen já não utiliza o seu alter-ego, e para além de continuar a escrever os arranjos de cordas para os álbuns dos Arcade Fire, estendeu as suas colaborações a nomes como Duran Duran, Pet Shop Boys, Beirut, Mika, R.E.M. ou The National. Depois da vinda a Leiria, voltou a Portugal mais uma série de vezes, a última das quais, com dois concertos esgotados em dois dias seguidos no Teatro Maria Matos, em Lisboa. Não deixa de ser, pois, curiosa, a resposta que Owen deu na última pergunta desta entrevista.

“SOU UM ARTISTA GAY MAS A MINHA MÚSICA NÃO É”

Owen Pallett é o mentor do projecto Final Fantasy, responsável por He Poos Clouds, um dos discos mais aclamados do ano. O músico canadiano, que acompanha ao vivo e é responsável pelos arranjos orquestrais dos afamados Arcade Fire, veio a Leiria mostrar porque é que é um dos compositores mais respeitados da actual cena alternativa mundial. Num Teatro Miguel Franco esgotado com duas semanas de antecedência, o músico pintou a ouro mais uma das páginas do FADEINFESTIVAL. Na manhã seguinte ao espectáculo, tomámos o pequeno almoço com o músico, registando, em tom informal, uma conversa centrada no próprio concerto, na cidade de Leiria, na Fade In e, obviamente, nos Arcade Fire…

Owen, conta-nos como correu o espectáculo de ontem (NR: 14 de Outubro de 2006). Dois encores, três ovações de pé…
De facto correu muito bem. A sala era muito bonita, com óptimas condições acústicas, um óptimo técnico de som e um público fantástico. Confesso que fiquei um pouco nervoso quando me inteirei das bandas que já tinham tocado no FADEINFESTIVAL. Tantas e tão boas que fiquei um pouco melindrado. Felizmente correu tudo bem…

Já que falas das bandas que tocaram no FADEINFESTIVAL… Curiosamente, para além da versão dos Bloc Party, acabaste por tocar uma versão dos Destroyer, outra das bandas que já cá actuou (NR: FADEINFESTIVAL 2005)…
Sim, eu adoro os Destroyer. A banda de Dan Bejar é uma das mais respeitadas do Canadá. Ele é um grande escritor de canções e o seu disco “Your Blues” foi uma influência que assumi no meu novo disco. Outro dos músicos que mais admiro é Jamie Stewart. Sei que os Xiu Xiu já tocaram no FADEINFESTIVAL duas vezes! São, sem dúvida, a minha banda preferida… Percebes agora porque fiquei tão nervoso quando soube que vinha cá tocar?

Sim, mas estás habituado a tocar perante milhares e milhares de pessoas em festivais de grande nomeada sempre que estás em digressão com os Arcade Fire…
Ok, mas uma coisa é estares em palco com mais oito ou nove músicos, onde há mais protagonistas para além de ti. Outra é estares em palco a apresentar uma coisa que apenas tu compuseste e sobre a qual só tu tens responsabilidade. E depois, todas aquelas pessoas a olharem para ti ao mesmo tempo…

Então é por isso que te fazes acompanhar em palco pela projectista Stephanie. Ou seja, crias um fait-divers para as pessoas não estarem tão concentradas em ti?
Bem, para te ser sincero é um misto… Por um lado os olhares dispersam-se, por outro o espectáculo enriquece. É que vale mesmo a pena contemplar os desenhos e a forma como a Stephanie domina a arte de manipular acetatos…

Qual a opinião que tens sobre os Spiritual Front, a banda italiana que te precedeu?
Os rapazes são muitíssimo bons, sem dúvida… Não os conhecia, confesso. Mas de agora em diante vou ficar atento ao que vão fazer. Falaram-me que o seu último disco era uma obra-prima mas infelizmente não tive oportunidade de adquirir nenhum. Quando o quis fazer já só tinham t-shirts para vender…

Discos foi coisa que também te fartaste de vender…
Sim no local do concerto e também no local onde se realizou a sessão de autógrafos (NR: Cinema Paraíso). Imagina que até vendemos discos na rua! Quando estávamos a voltar para o hotel fomos abordados por algumas pessoas que nos queriam comprar discos. Foi ali, naquela praça bonita… (NR: Praça Rodrigues Lobo)

Por falar em Praça bonita… Tiveste tempo de conhecer um pouco da nossa cidade?
Sim, no sábado de manhã fui passear por Leiria. O Castelo é imponente. E se observado durante a noite ainda é mais. Algumas ruas fizeram-me lembrar Itália, não sei bem porquê… Enfim, é uma cidade pequena mas simpática, e culturalmente activa.

Já estiveste várias vezes em Portugal. No ano passado tocaste em Paredes de Coura com os Arcade Fire e na Zdb como Final Fantasy. E neste Verão apresentaste Final Fantasy no Festival Sudoeste. Começa a ser uma relação íntima…
Na verdade a minha relação com Portugal começou em Toronto, cidade onde vivo. Lá existe uma forte comunidade portuguesa. Foi lá que provei o vosso famoso Queijo da Serra da Estrela. É espectacular. No Canadá só se o arranja ilegalmente. É que foi proibido devido ao facto de ser um queijo não pasteurizado…

Então sempre é verdade essa história do queijo…
Sim, claro. Gosto de coisas tradicionais. Ainda ontem almocei sardinhas! Estavam verdadeiramente deliciosas…

Falas abertamente da tua homossexualidade e muitas das tuas letras são de cariz fortemente sexual...
Sim sou um artista gay, mas a minha música não é. Na verdade não faço ideia do que é isso de música gay. Não faço qualquer tipo de apologia. Como as minhas letras são muito biográficas, é natural que nelas esteja implícita muita da minha vivência.

Foste o co-autor dos arranjos orquestrais do álbum “Funeral” dos Arcade Fire. O disco foi, como se sabe, aclamado e vendeu cerca de 850.000 cópias em todo mundo… A fasquia está, pois, muito elevada. Achas que vão superar ou sequer corresponder às expectativas agora criadas?
Sinceramente não estamos preocupados com isso. O facto de termos vendido tantos discos não nos transformou nem em melhores nem em piores músicos. Continuamos orgulhosamente na Merge (NR: editora independente que detém os direitos dos Arcade Fire no continente Americano – na Europa é a Beggars Banquet) e até ver estamos satisfeitos. Acabei de compor e gravar as maquetes dos arranjos para o novo álbum. Provavelmente vamos até Budapeste para gravar com uma orquestra. Só depois das misturas feitas é que ficarei com noção do resultado final.

E até onde pode ir Final Fantasy, agora que é quase tão conhecido como os Arcade Fire?
(risos) Pode ir até onde as pessoas quiserem. O meu novo disco tem sido extraordinariamente bem recebido pela crítica e os espectáculos estão cheios de gente. Daqui a dois anos, se a Fade In me convidar e se voltar a ter casa cheia, dar-me-ei por muito satisfeito! Será sinal que também o meu próximo disco estará à altura das exigências…

Carlos Matos

2 thoughts on “Owen Pallett

  1. Pedro diz:

    Curiosamente o meu top 3 do Fade In…Pallett, Xiu Xiu (Orfeão Velho) e Destroyer. Seguem-se Matt Elliott e Manyfingers.

    Este “pequeno” festival dá-nos o privilégio de assistirmos aos concertos das nossas vidas.

    Obrigado, a ti Carlos e a toda a equipa

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